Muitos cristãos não celebram o Natal, ignorando que seus elementos guardam origens e inspiração no cristianismo.
Questionando a origem histórica da festa, a falta de certeza sobre o dia de nascimento de Jesus e outras coisas mais, algumas pessoas caem no infeliz erro de renegar ou criticar essa importante celebração do Calendário Litúrgico da Igreja. Muitos cristãos não celebram o Natal, ignorando que seus elementos guardam origens e inspiração no cristianismo. Confira a origem de alguns elementos do Natal:
Dia 25 de dezembro
Muitos evangélicos não comemoram o Natal sob alegação de que o dia 25 de dezembro era, na verdade, uma data pagã (em que se celebrava o deus romano Sol Invictus). Outros defendem que essa não foi a data exata do nascimento de Jesus, por isso não há o que celebrar.
Nada mais errado, pois as duas justificativas não encontram base histórica. Sobre o dia 25 de dezembro, a celebração Sol Invictus acontecia em dias diferentes a cada ano. Ela se tornou concomitante ao Natal oficialmente pelo Imperador Romano Aureliano apenas em 274 d.C.
Acontece que há documentos, como os escritos de Hipólito de Roma, que datam de 204 d.C., afirmando que a Igreja já celebrava o Natal. Ou seja, ela estava presente em seu Calendário Litúrgico há muitos anos. A oficialização disto, sim, veio tardiamente -por volta do ano 306 d.C.
Outro argumento equivocado de muitos cristãos (sobretudo os evangélicos), é que a data de 25 de dezembro não seria exata, mas uma criação. Assim, não faz sentido celebrar 'uma mentira'. No entanto, desconhecem profundamente a cronologia levantada por algumas tradições cristãs.
Alguns estudiosos assinalam que é possível ter uma ideia (ao menos provável) da época em que Zacarias, pai de S. João Batista, estava servindo no Templo de Jerusalém quando lhe foi anunciado o nascimento de seu filho (confira a base bíblica):
“Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da tribo de Abias [...]. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, na ordem de sua classe, coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário e aí oferecer o perfume”. (Lc 01:06-08).
O turno dos sacerdotes da classe de Abias estaria reservado a setembro, portanto teria sido mais ou menos durante os últimos dias do mês que Zacarias exerceu as funções sacerdotais. Além disso, o dia 25 de dezembro se apoia em uma cronologia assentada sobre tradições bem antigas (como a sírio-jacobita, uma das principais representações cristãs no Oriente Médio).
Pelo calendário desta tradição cristã, o Tempo do Natal começa a ser celebrado na anunciação de São João Batista, 06 semanas antes do início do Advento de Cristo. A data em que, para os ortodoxos sírios, comemora-se o anúncio do nascimento de São João Batista é 23 de setembro.
Disto se segue uma coincidência cronológica interessante que parece respaldar, em alguma medida, as festividades do próprio Calendário Litúrgico:
· a) no dia 23 de setembro, Zacarias e Isabel teriam recebido a notícia de que lhes nasceria um filho;
· b) seis meses depois, o arcanjo Gabriel teria anunciado à Virgem Maria a encarnação do Verbo e confirmado a gravidez de Isabel, “aquela que era tida por estéril” (confira Lc. 01:36);
· c) três meses mais tarde do episódio com Maria citado acima, no dia 24 de junho, nasceria S. João Batista;
· d) por fim, seis meses depois disso, portanto no dia 25 de dezembro, Jesus viria à luz.
Santa Claus, São Nicolau, Pai Natal, ou... Papai Noel
O bom velhinho é um santo da Igreja –São Nicolau, cuja festa é celebrada em 06 de dezembro em algumas tradições cristãs (talvez por isso, com a proximidade do dia 25, ele tenha se transformado em um dos símbolos da festa).
Nicolau foi um membro do clero que viveu na região da atual Turquia e tinha muitas posses, sendo conhecido por sua generosidade. Ou seja, é uma personagem real e sua história inspirou a criação do Papai Noel, o bom velhinho. Ele é um excelente exemplo a ser seguido e, por que não, ensinado às crianças.
A vestimenta vermelha ficou famosa após campanhas publicitárias da Coca-cola durante os anos 1930 e em outros países ele é conhecido por alguns nomes: Papai Noel, Pai Natal, Sinterklaas (Países Baixos) ou Kris Kringle (Estados Unidos);
Embora haja muita lenda em torno de sua história, ele nasceu por volta de 260 d.C. Seus pais morreram de peste quando ele era jovem, deixando-lhe uma fortuna razoável. Desde a juventude sua fé cristã foi profunda e forte, o que moldou a sua mente e o levou a entrar no exigente campo de treinamento espiritual da vida monástica e, com o tempo, tornar-se bispo.
Quando jovem, ouviu falar de uma família local que estava caindo na pobreza. Um pai muito endividado precisava desesperadamente de dinheiro para pagar agiotas; caso contrário, sua única opção (como acontecia em muitas famílias na época) era vender suas três filhas como escravas ou para a prostituição.
São Nicolau, ciente do ensinamento de Jesus de que as boas ações devem ser feitas em segredo, resolveu fazer o que pudesse para ajudar. Então, embrulhou um saco de moedas de ouro e secretamente as jogou pela janela da casa.
Nicolau realizou esse ato de generosidade três vezes (para cada umas três filhas) e, na terceira ocasião, jogou o saco de moedas de ouro tão fundo que ele caiu em uma meia pendurada sobre o fogo para secar — daí as meias na véspera de Natal.
Nessa ocasião, o pai seguiu Nicolau quando este tentava fugir e o agradeceu bastante. Nicolau insistiu para que o homem não contasse a ninguém. Obviamente, ele não conseguiu cumprir a sua promessa.
A outra história famosa de São Nicolau tem a ver com o famoso Concílio de Nicéia, em 325 d.C. Há evidências de que Nicolau esteve presente neste Concílio em que o Credo Niceno, que descreve o cerne da fé cristã para a maioria das igrejas cristãs (inclusive protestantes) até hoje, foi elaborado.
O centro da reunião, em que o resultado foi justamente o credo niceno, era o herético e controverso ensinamento de Ário (um sacerdote que pregava que Jesus, embora fosse a melhor pessoa que já viveu, não era divino). Indignado com tamanha afronta, Nicolau teria atravessado a sala e batido no rosto dele.
A compaixão, a coragem, a graça, a generosidade, a ira contra o mal, a profunda compaixão por aqueles que lutam com a vida apesar das circunstâncias adversas — tudo isto não é um breve momento de luz num mundo essencialmente escuro, mas é a própria natureza da realidade trazida por Cristo à terra.
Em outras palavras, Jesus representa Deus dando a Si mesmo ao mundo, não apenas um presente. Esse tipo de crença parece ter animado e inspirado São Nicolau, tanto mente como coração. Portanto, além de baseado em um cristão real e exemplar, o Papai Noel é uma inspiração para crianças e adultos sobre como Cristo agiria.
Árvore de Natal
No século VIII, São Bonifácio, um missionário cristão, substituiu o carvalho sagrado pagão pelos pinheiros. Ele utilizou a forma triangular da árvore para simbolizar a Santíssima Trindade e suas folhas perenes (verdes o ano inteiro) como um sinal da vida eterna de Cristo.
Ele estava com dificuldade de cristianizar aquelas pessoas, tão apegadas à sua fé. Os pagãos da época, na região da Alemanha, tinham costume de erigir carvalhos ao deus Thor, fazendo sacrifícios de crianças nos bosques.
Então, durante um dos cultos sacrificiais (que aconteciam em dias próximos ao Natal), ele grita ‘eis o carvalho do trovão, e eis a cruz de Cristo que romperá o martelo de Thor – o falso deus’. Com seu báculo (cajado de bispo) ele segurou o martelo do algoz que sacrificaria uma criança.
Os pagãos esperavam que o deus do trovão acabasse com o cristão, mas nada aconteceu. Ele, então, derruba a árvore. Após isso, Bonifácio usa o pinheiro para orientar aquelas pessoas a não mais irem até o bosque dos sacrifícios, mas levarem a árvore para dentro de casa, perto de suas famílias. Ele faz um discurso exaltando o fato de a folhagem estar sempre verde, a árvore apontar para o céu e ter formato triangular (fazendo lembrar a santíssima trindade). A estrela acima representa a natividade.
Outra história é, em uma noite de inverno, Lutero caminhava para casa e ficou maravilhado com a beleza das estrelas cintilando através dos pinheiros cobertos de neve. Para recriar essa visão para sua família, ele teria levado a árvore para dentro de casa e a decorado com velas acesas, simbolizando a luz de Cristo que ilumina o mundo na noite do seu nascimento.
Independentemente da veracidade da história, a tradição de decorar árvores dentro de casa se consolidou nas regiões protestantes da Alemanha nos séculos XVI e XVII, como uma alternativa ao presépio, que era mais comum nas áreas católicas da época.
Guirlanda ou Coroa do Advento
A origem da guirlanda se deu com o pastor luterano Johan Hinrich, que cuidava de uma espécie de lar para órfãos. As crianças perguntavam sempre quanto tempo faltava para o Natal, então ele teve a ideia de pegar uma roda de carroça e colocar uma vela para cada dia da Estação do Advento de Cristo, sendo que os domingos tinham velas maiores.
Assim como a árvore de Natal, os ramos verdes entrelaçados à armação traziam a ideia de vitalidade e renovo (pois esse período do ano na Europa é frio e as folhagens estão secas e descoloridas, quando há alguma). Já a chegada de Jesus representa a regeneração da humanidade, a esperança de um novo começo, portanto é representada pelos ramos esverdeados.
Presépio, luzes natalinas e a troca de presentes
A origem do presépio é bíblica, uma vez que a representação remonta ao fato de Jesus ter nascido em um estábulo onde animais pastavam e usado um cocho como berço, repousada especialmente no relato de Lucas 02:01-07. Praesepium em latim significa justamente manjedoura.
A história é que Francisco de Assis o criou a partir da ideia de representar o fato histórico da natividade durante a Missa de Natal em uma cidade italiana. Na ocasião foram colocados à frente do local de culto alguns animais de verdade, junto com o cocho, para serem observados pelas pessoas durante a celebração. Após isso, o costume se espalhou pela Europa e, posteriormente, mundo afora.
A tradição dos presentes repousa em Jesus como presente divino, dado por Deus à humanidade; o melhor que poderia ser entregue foi ofertado. Daí se trocar presentes e a expectativa pela abertura das caixas no dia 25 de dezembro. No entanto, para além deste aspecto, repousa sobre a narrativa bíblica dos reis magos, que levaram presentes a Cristo.
A luzinhas de Natal são a representação de Jesus Cristo como a "Luz do Mundo". A tradição de usá-las remonta à práticas antigas na Alemanha e está enraizada na fé cristã (justamente na Palavra de Cristo sobre ser a luz do mundo), embora tenha se popularizado comercialmente ao longo do tempo.
Conclusão
Bom, chegamos à conclusão que (boa) parte do que é falado na internet nada tem a ver com a realidade, seja histórica, seja doutrinária. O Natal é uma Estação do Calendário Litúrgico, o que significa que tem alguns dias de duração para além de 24-25 de dezembro e nasceu dentro da igreja e saiu para (contagiou) a sociedade e, mais do que isso, está repleta de belos significados e mensagens indiretas através dos elementos que a compõem!
Portanto, nada de entrar no time dos desinformados que defendem que o Natal não deve ser celebrado! Aprenda conosco os significados por trás de cada elemento e, a partir deles, viva o Natal de forma consciente, prepare o seu coração para receber Cristo e, melhor ainda, use cada uma dessas histórias que contamos a você para apresentar Cristo a alguém durante as festas de final de ano.
IBRAV - Uma igreja que vive e Compartilha Cristo!
Texto: pr. Ítalo Toni Bianchi.